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O que é Bolsa B3? Saiba tudo sobre a bolsa de valores brasileira

bolsa de valores b3 brasileira

Existem várias bolsas de valores no mundo. Uma delas é a Bolsa B3, a brasileira. Fundada ainda em 1890, passou por algumas mudanças em sua história e chegou ao formato atual. Atualmente, é a maior da América Latina e a única do Brasil em funcionamento.

Por isso, é importante conhecê-la, já que você terá que utilizar a B3, caso queira investir na renda variável brasileira. Neste post, vamos explicar os principais detalhes dessa instituição importante para o mercado financeiro. Saiba mais!

O que é Bolsa B3?

A Bolsa B3 é a bolsa de valores brasileira. Nela, são realizadas as negociações de ações e títulos de renda variável. Além disso, ela cria e administra sistemas de negociação, liquidação, compensação, depósitos e registros para várias classes de ativos.

Localizada na cidade de São Paulo, tem representações no Rio de Janeiro, em Londres e em Xangai. Além disso, passou a ter o formato oficial em março de 2017, quando foi feita a fusão da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F) e Central de Custódia e Liquidação Financeira de Títulos (Cetip).

Na época da fusão, a B3 se tornou a 5ª maior bolsa de valores do mundo. No total, seu patrimônio era de 13 bilhões de dólares. No final do segundo trimestre de 2022, era de R$ 20,7 bilhões.

Toda a operação da B3 passa pela fiscalização da Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Esse órgão também é responsável por regulamenta a atividades do mercado de valores no Brasil.

Qual o significado da B3?

A sigla B3 se refere a Bolsa, Brasil, Balcão. Em seu modelo atual, surgiu em março de 2017. No entanto, a criação da entidade ocorreu em 23 de agosto de 1890, quando Emílio Rangel Pestano fundou a chamada Bolsa Livre.

Um ano depois, a Bolsa Livre encerrou suas atividades devido à política do Encilhamento. Isso gerou uma hiperinflação e um surto especulativo. Por isso, as operações só voltaram em 1895 por meio da então Bolsa de Fundos Públicos de São Paulo.

Em 1935, foram realizadas reformulações, inclusive no nome. Aí surgiu a Bovespa, nome pelo qual a Bolsa B3 se tornou mais conhecida.

Já nos anos 1960, cada estado tinha a sua bolsa específica, que era controlada por uma secretaria estadual. Na década seguinte, a bolsa de valores do Rio de Janeiro — então a mais importante do Brasil — passa por uma crise econômica e dá espaço para a Bovespa crescer e se consolidar.

Em 2000, as bolsas do Rio de Janeiro e de São Paulo se unificaram com as 9 bolsas brasileiras até então existentes. Nesse momento, ficou decidido que a Bovespa seria responsável pelas ações e o Rio ficaria com os títulos públicos.

Já em 2007, a Bovespa abriu capital, ou seja, fez a sua Initial Public Offer (IPO), ou Oferta Pública Inicial. No ano seguinte, fundiu-se com a BM&F, sendo chamada oficialmente de BM&F Bovespa. Em 2017, houve a fusão com a Cetip, quando se tornou a B3.

Quem são os donos da B3?

A Bolsa B3 é uma companhia de capital aberto. Por isso, ela é formada por diferentes acionistas e grupos de acionistas, que investem nas ações negociadas em seu próprio mercado. Portanto, existem diferentes “donos” e nenhum deles é um controlador direto ou indireto.

Segundo o site de Relações Institucionais (RI) da B3, a estrutura acionária é dividida da seguinte forma:

  • Capital Research Global Investors, que detém 10,11% do total;
  • Baillie Gifford Overseas Ltd., que detém 5,03% do total;
  • T. Rowe Price, que detém 5,02% do total;
  • Fundos administrados pela Blackrock, INC., que detém 4,55% do total;
  • Outros, com 72,21% do total;
  • Ações em tesouraria, com 3,08% do total. Esses papéis recebem esse nome por serem armazenados pela própria B3 para manter sob sua custódia, caso queira fazer a recompra.

Qual a função da Bolsa B3?

A Bolsa B3 tem a responsabilidade de organizar o mercado de compra e venda de ações. Portanto, é um ambiente no qual as negociações ocorrem de forma transparente. Dentro desse cenário, algumas de suas funções são:

  • Garantir o IPO das empresas;
  • Oferecer diferentes tipos de ativos e oportunidades de investimentos;
  • Assegurar o acesso dos investidores ao mercado de renda variável.

No Brasil, a B3 também realiza a operacionalização do Tesouro Direto, o sistema do Tesouro Nacional que comercializa títulos públicos da renda fixa. Apesar dessa função não ser a principal, é importante destacá-la.

Como a Bolsa B3 funciona?

A Bolsa B3 funciona como um ambiente de negociação. O pregão é realizado de forma eletrônica e todas as operações podem ser feitas via home broker. Além disso, as empresas que fazem IPO e aquelas que já têm capital aberto precisam seguir as diretrizes da entidade.

Basicamente, a bolsa de valores B3 conta com dois tipos de mercados:

  • Primário: é aquele em que os papéis são adquiridos diretamente do emissor. Ou seja, das empresas que os emitem;
  • Secundário: caracteriza-se pela negociação entre investidores. Assim, uma ação é vendida por um investidor e comprada por outro.

Além disso, as empresas listadas são divididas em setores. Alguns deles são:

  • Consumo cíclico e não cíclico;
  • Bens industriais;
  • Financeiro e outros;
  • Petróleo, gás e biocombustíveis;
  • Materiais básicos;
  • Saúde;
  • Telecomunicações;
  • Tecnologia da informação;
  • Utilidade pública.

O valor das ações de todas as empresas é definido por diferentes variáveis. Ele depende muito da volatilidade, ou seja, da oscilação de preços causada pela oferta e demanda. Portanto, para ter certeza de quanto você precisará investir, é preciso verificar a cotação da Bolsa B3 naquele momento para o ativo.

Quem pode investir na Bolsa B3?

Com relação às pessoas que podem investir na B3, é basicamente qualquer uma que deseje alocar seu dinheiro na renda variável. Basta ter mais de 18 anos e o dinheiro necessário. Porém, é possível aplicar até menos de R$ 50.

De toda forma, é importante saber que essa modalidade traz mais riscos do que a renda fixa. Por isso, é preciso atentar ao seu perfil de investidor para criar uma estratégia adequada. Ou seja, ainda que você seja conservador, pode saber como investir na bolsa de valores. O que vai mudar é a quantidade de ativos alocada nessa categoria e as alternativas escolhidas.

Além disso, é recomendado ter uma reserva de emergência. Afinal, essa é uma quantia deixada para arcar com imprevistos. Dessa forma, você evita o endividamento, assim como não precisa tirar seu dinheiro de um investimento da renda variável para custear o gasto inesperado.

Quais são os riscos de investir na Bolsa B3?

O principal risco é o de mercado. Ou seja, você pode gastar R$ 10 para comprar uma ação e ela se desvalorizar, passando a custar R$ 5, por exemplo.

Por isso, recomenda-se que o foco seja o longo prazo. Dessa forma, as perdas podem ser compensadas com o passar do tempo. Portanto, a máxima sempre é: comprar na baixa e vender na alta. Essa é uma forma de obter bom nível de lucro.

Além disso, é fundamental ter conhecimento. A bolsa de valores nunca deve ser encarada como uma aposta. Dessa maneira, você tem mais disciplina e evita tomar decisões erradas.

Lembre-se ainda de diversificar a carteira de investimentos. Isso porque essa é a melhor maneira de reduzir os riscos e aumentar o potencial de rentabilidade.

Qual é o horário de funcionamento da Bolsa B3?

Todo o pregão é feito de forma eletrônica. A abertura e o horário de fechamento da Bolsa B3 mudam de acordo com a operação. Veja como fica em cada caso:

  • Cancelamento de ofertas: 9h30min às 9h45min;
  • Pré-abertura: 9h45min às 10h;
  • Negociações: 10h às 17h55min;
  • Call de fechamento: 17h55min às 18h ou 18h15min, conforme o mercado;
  • After market: 17h30min às 18h.

Quais são os produtos da B3?

A B3 conta com mais de 400 empresas listadas, que podem ser conferidas no site da B3. Todas elas comercializam algum dos produtos financeiros que apresentamos a seguir. Confira.

Ações

Representam partes do capital social de uma companhia. Para a empresa de capital aberto, consistem em oportunidades de captar recursos financeiros. Para os investidores, as ações da Bolsa B3 rendem proventos na forma de dividendos ou juros sobre capital próprio.

Minicontratos

Podem ser de dólar ou de índice. Ao fazer esse acordo, o investidor acredita na alta ou na queda do indexador. Essa é uma forma de fazer hedge, a fim de proteger o capital de possíveis variações cambiais.

Mercado futuro

Abrange os minicontratos e os contratos cheios de dólar e índice. A relação em valores é a seguinte:

  • O minicontrato de dólar vale 10 mil dólares e o contrato cheio equivale a 50 mil dólares;
  • O minicontrato de índice corresponde a 20% dos pontos do Ibovespa em reais. Por sua vez, o contrato cheio condiz com 100% dos pontos do Ibovespa em reais.

Vale a pena reforçar que o Ibovespa é o principal índice da Bolsa B3. Ele representa o desempenho médio das cotações das ações negociadas. No entanto, entram na análise somente os papéis com maior volume negociado nos meses anteriores.

Por isso, é feito um rebalanceamento quadrimestral. Ele sempre ocorre na primeira segunda-feira de janeiro, maio e setembro.

Opções

São papéis que garantem o direito de compra ou venda de ações em uma data futura por preço predeterminado. Por isso, é uma opção que também serve para hedge, além de outras finalidades.

Fundos de investimentos

São como condomínios de investidores, cujo gestor realiza a alocação de capital conforme a política estabelecida. Assim, são boas opções para quem tem pouca educação financeira e quer deixar a gestão sob responsabilidade de um especialista.

Como está a B3 hoje?

Segundo dados relativos ao 3° trimestre de 2022, a Bolsa B3 alcançou o patamar de 4,6 milhões de investidores com ativos da renda variável. Esse resultado é 35% maior do que o registrado no mesmo período de 2021. Somente entre 0 2° e o 3° trimestres de 2022, houve um crescimento de 200 mil investidores.

Na renda fixa, o total de investidores ainda é maior. No intervalo de tempo analisado, atingiu 12,6 milhões. Somente o Tesouro Direto tem mais de 2,1 milhões de pessoas físicas aplicando seu dinheiro. Esse dado é 25% maior do que o ano anterior.

Veja mais informações na tabela a seguir.

Produto/setorTotal de investidoresValor em custódia de pessoa físicaVolume médio diário negociado para pessoa física
Renda variável4,6 milhõesR$ 504 bilhõesR$ 9,2 bilhões
Tesouro Direto2,1 milhõesR$ 96,9 bilhões
Renda fixa12,7 milhõesR$ 1.485 bilhão
Ações à vista3,4 milhõesR$ 370 bilhõesR$ 8,3 bilhões
Fundo imobiliário1,9 milhõesR$ 108,5 bilhõesR$ 336 milhões
Brazilian Depositary Receipt (BDR)528 milR$ 8,3 bilhõesR$ 339 milhões
Exchange Traded Fund (ETF)1,5 milhãoR$ 6,6 bilhõesR$ 183,6 milhões

Vale a pena investir na Bolsa B3?

É importante destacar que essa é uma decisão individual, que passa pelo perfil de investidor e objetivos perseguidos, entre outros fatores. No entanto, é possível obter bons resultados ao investir na Bolsa B3.

Afinal, essa é uma forma de potencializar os ganhos e consolidar seu patrimônio. No entanto, o foco sempre deve ser a diversificação. Por isso, nunca se deve ignorar a renda fixa, assim como os investimentos no exterior.

Alocar seu dinheiro em outro país, inclusive, é a oportunidade de aumentar muito seu patrimônio. Isso porque investir em dólar é uma forma de proteger seu capital, ou seja, fazer hedge.

O motivo para isso é a valorização da moeda americana. Historicamente, ela está muito acima do real. Portanto, há menos chance de perdas. A mesma regra vale para outras moedas fortes, como o euro.

Assim, você pode investir na Bolsa B3, na renda fixa e no exterior. Dessa forma, terá uma carteira bastante diversificada e capaz de aumentar e consolidar seu patrimônio.

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Eduardo Sena
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